Petróleo russo alivia crise energética em Cuba provocada pelo bloqueio dos EUA
Envio reduz apagões na ilha após meses de instabilidade provocados por sanções de Washington

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247 - Cuba começou a registrar redução nos apagões após a chegada de uma carga de petróleo russo. O envio de cerca de 100 mil toneladas do combustível representa o primeiro grande fornecimento à ilha desde que os Estados Unidos interromperam o abastecimento no início deste ano, com a imposição do bloqueio criminoso ao país caribenho. As informações são da agência Reuters.
O petróleo foi transportado pelo navio Anatoly Kolodkin, de bandeira russa, que descarregou aproximadamente 700 mil barris de petróleo bruto do tipo Urals no terminal de Matanzas no fim de março. O combustível começou a ser refinado em produtos como gasolina, diesel e óleo combustível, com distribuição iniciada a partir de 17 de abril pela refinaria de Cienfuegos.
A chegada do insumo teve impacto direto no cotidiano da população, que enfrentava cortes prolongados de energia há cerca de quatro meses. Moradores relataram melhora no fornecimento elétrico nos últimos dias. A trabalhadora autônoma Yani Cabrera, de 45 anos, afirmou que percebeu mudanças recentes. "O barco de Putin melhorou a situação, e somos gratos por isso", declarou.
Apesar da melhora momentânea, autoridades cubanas alertam que o efeito será temporário. O ministro de Energia, Vicente de la O Levy, afirmou que a quantidade recebida não é suficiente para atender à demanda do país. "Não vai nos dar muito tempo", disse. Segundo ele, seriam necessários oito navios do mesmo porte por mês para suprir as necessidades energéticas e industriais da ilha.
O ministro acrescentou que o volume restante do carregamento deve durar apenas até o fim de abril. A Rússia informou que prepara um novo envio, mas ainda não confirmou a data de embarque.
A escassez de combustível tem provocado impactos severos em Cuba, incluindo três apagões nacionais recentes e a suspensão de voos por diversas companhias aéreas estrangeiras. A crise é decorrente das sanções dos Estados Unidos e da interrupção das exportações de petróleo da Venezuela para a ilha, após o sequestro de Nicolás Maduro em janeiro.
Mesmo com a chegada do petróleo russo, a população ainda enfrenta dificuldades causadas pelo bloqueio estadunidense. A aposentada Ester Isasis, de 70 anos, relatou que continua lidando com a falta de gás para cozinhar. "O barco russo não vai resolver nosso problema, mas tem sido um alívio", afirmou. "Ainda estamos vivendo muito estressados", completou.