Carregando conteúdo

Preparando informações de Brasil Hoje…

HOME > Brasil

Cade amplia investigação sobre Google por uso de conteúdo jornalístico e IA

Órgão decide aprofundar apuração sobre possível prática anticompetitiva do Google ao exibir notícias e resumos com inteligência artificial

Cade (Foto: Reuters)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu ampliar a investigação sobre o uso de conteúdo jornalístico pelo Google sem remuneração aos veículos de mídia, incorporando à análise os efeitos da inteligência artificial generativa. A medida, tomada por unanimidade na quinta-feira (23), marca uma nova etapa na apuração de possíveis práticas anticoncorrenciais no mercado de notícias digitais.

O plenário do Cade determinou o envio do caso à Superintendência-Geral (SG) para a instauração de processo administrativo, o que pode resultar na aplicação de sanções por infração à ordem econômica.

A investigação teve início em 2019, quando entidades de mídia passaram a questionar práticas do Google relacionadas à exibição de conteúdos jornalísticos em sua plataforma. À época, a principal preocupação era a chamada “raspagem” de conteúdo (scraping), em que trechos relevantes de reportagens são exibidos diretamente nos resultados de busca, reduzindo o acesso dos usuários aos sites originais.

Com o avanço tecnológico, especialmente no campo da inteligência artificial, o escopo da investigação foi ampliado. Ferramentas como o AI Overview, que gera resumos detalhados de notícias diretamente na página de busca, passaram a ser consideradas um fator adicional de possível desvio de tráfego dos veículos jornalísticos.

No voto apresentado durante a sessão, a conselheira Camila Cabral destacou a necessidade de aprofundamento da análise. “No estudo atual da instrução, subsistem elementos suficientes a justificar o aprofundamento da apuração em processo administrativo, especialmente diante da necessidade de maior densidade analítica e empírica quanto a aspectos relevantes do problema concorrencial investigado”, afirmou.

Ela também defendeu que a investigação inclua dados sobre a estrutura econômica do setor, como os custos editoriais envolvidos na produção de conteúdo jornalístico.

O conselheiro Carlos Jacques reforçou o impacto das mudanças tecnológicas no cenário atual. “Sabemos que crise é mudança. Nós estamos diante da IA, que é uma ruptura tecnológica. Então, nós estamos diante de uma crise. E na crise, e na mudança, é comum acontecer o abuso de exploração, ou o abuso de dependência econômica”, declarou.

O caso teve idas e vindas nos últimos anos. Após ser arquivado no fim de 2024, o processo foi retomado em março de 2025 por iniciativa da conselheira Camila Cabral. O relator anterior, Gustavo Augusto Freitas de Lima, havia defendido o arquivamento sob o argumento de que a exibição de manchetes e resumos pelo Google funcionaria como “propaganda gratuita” para os veículos.

No entanto, novos dados apresentados por entidades como a Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Repórteres Sem Fronteiras e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) indicam impactos negativos do uso de inteligência artificial. Estudos apontam que resumos gerados por IA reduzem a taxa de cliques em links de notícias de 15% para 8% e aumentam o abandono de sessões sem interação de 16% para 26%.

Além disso, apenas 1% das visitas resultam em cliques nos links citados nos resumos, o que sugere retenção dos usuários na própria plataforma do buscador. Outro levantamento citado indica que o recurso pode reduzir em até dois terços os acessos aos sites dos veículos.

Diante desse cenário, organizações como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) defendem que o Google remunere os produtores de conteúdo. Para a entidade, o aprofundamento da investigação é essencial para evitar danos à sustentabilidade do jornalismo profissional e à diversidade informativa no país.

O presidente interino do Cade, Diogo Thomson, ressaltou que o caso integra um esforço mais amplo do órgão para analisar o impacto de grandes plataformas digitais. “Me parece que isso representa um esforço colegiado bastante claro de aprofundar esse tipo de investigação e também de direcionar a própria SG para que priorize esse tipo de investigação e tenha todo o suporte para isso”, afirmou.

Ele também destacou a relevância do processo envolvendo o Google como exemplo da necessidade de atuação mais rigorosa diante das transformações na economia digital.

Artigos Relacionados

Lula prepara ofensiva contra as bets em decreto presidencial
Ministério da Justiça notifica Google e Apple sobre aplicativos de bets ilegais
Cade mantém multa contra Meta por chatbots no WhatsApp

Tags

Acompanhe as
últimas notícias