Carlos Bolsonaro critica Flávio e diz que irmão segue “discursos ilusórios”
Ex-vereador acusa pré-candidato de se apoiar em aliados com “outros interesses” e amplia tensão na direita em meio a embates com Nikolas Ferreira e aliados

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247 - Em meio ao aumento das divergências internas no campo da direita, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) fez críticas públicas ao irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), ao questionar a estratégia adotada por ele na pré-campanha presidencial. As declarações foram publicadas nas redes sociais e repercutidas em reportagem do jornal O Globo.
Carlos, que é pré-candidato a senador por Santa Catarina, afirmou que Flávio estaria se apoiando em pessoas que apresentam “discursos ilusórios” e o alertou sobre influências ao seu redor. “Ouça ao menos um pouco do que venho lhe dizendo há tempos, e não apenas aqueles que possuem outros interesses ao seu redor. É preciso ponderar. Você está mordendo a isca com mais facilidade do que lambari em anzol de mosquito e o peixe vai só engordando malandramente”, escreveu.
A publicação foi acompanhada de uma imagem que remetia a uma reportagem de 2023 sobre o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Na ocasião, Zema havia se manifestado favoravelmente à proposta de reforma tributária do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, posição que contrariou a orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O mineiro é citado como possível vice em uma eventual chapa encabeçada por Flávio.
As declarações de Carlos ocorrem em um contexto de trocas de críticas entre integrantes do bolsonarismo. Nos últimos dias, ele também reagiu a posicionamentos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), intensificando o clima de divisão.
Em outra publicação, Carlos defendeu a unidade do grupo político e criticou o que classificou como oportunismo. “Luto até hoje para ver meu país livre, assim como Jair Bolsonaro e as centenas de presos políticos no Brasil, e assim seguirei fazendo. Grupo não se faz de oportunistas; aliás, pode até ser, mas a sua essência não pode ser perdida porque há alguém vendando seus olhos. O Brasil é muito maior e merece muito mais do que isso! Assim foi com Jair Bolsonaro, e assim as tias do zap e os tios do churrasco querem e sempre lutaram por nossa amada nação”, declarou.
O ex-vereador também explicou que pretende levar à executiva do partido um levantamento sobre correligionários que não estariam divulgando a pré-candidatura de Flávio. Segundo ele, a iniciativa busca corrigir posturas internas. “Quem quer vencer precisa agir, comunicar e vestir a camisa. Neste momento, muitas vezes, basta o básico: marcar posição e se manifestar com… postagens. Seguimos tentando ajudar a manter vivos politicamente, inclusive muitos que por algum motivo ignoram Flávio Bolsonaro e não dão bola para a situação do Brasil”, completou.
Nikolas Ferreira respondeu às críticas afirmando que há limites para provocações. “Postar você todos os dias, qualquer um faz. Porque isso é fácil. Mas conquistar os votos, através das ideias que você representa, isso sim é um trabalho efetivo, e que poucos fazem, porque exige trabalho, preparo e inteligência”, disse.
A crise interna já havia sido ampliada anteriormente por declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que também criticou Nikolas. Em publicação nas redes sociais, Eduardo afirmou: “Risinho de deboche para mim, Nikolas? Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família. Triste ver essa versão caricata de si mesmo. Não é, nem de longe, o menino que conheci, apoie e acreditei. Os holofotes e a fama te fizeram mal, infelizmente”.
Em entrevista ao O Globo, Nikolas se posicionou sobre o cenário e afirmou que enfrenta críticas dentro do próprio grupo. Ele se definiu como “atacante”, disse sofrer “ataques unilaterais” e mencionou a existência de aliados que “se acham mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”, classificando-os como “experts em afastar as pessoas”.
O conjunto de declarações evidencia o ambiente de fragmentação entre lideranças da direita, em um momento em que articulações políticas e pré-candidaturas começam a ganhar força com vistas às eleições presidenciais.