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Ciro Nogueira comprou R$ 7 milhões em imóveis em São Paulo após se aliar ao Master

Senador adquiriu imóveis avaliados em R$ 7 milhões após sociedade com empresa ligada a Daniel Vorcaro, segundo investigação da PF

Ciro Nogueira (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
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247 - O senador Ciro Nogueira (PP-PI) ampliou seu patrimônio imobiliário em São Paulo com a compra de imóveis avaliados em cerca de R$ 7 milhões entre 2024 e 2025, período em que passou a integrar uma sociedade empresarial ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro e a atuar em pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional. As informações foram reveladas pelo Metrópoles.

Além da aquisição de um triplex de luxo avaliado em R$ 22 milhões na rua Oscar Freire, em São Paulo, o parlamentar também comprou outros três imóveis na capital paulista por meio da holding patrimonial CNLF Empreendimentos Imobiliários. A empresa está registrada em nome de Raimundo Nogueira Lima, irmão do senador, alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (7).

Segundo a investigação da PF, Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil de Daniel Vorcaro para atuar “em favor do banqueiro”. O senador nega irregularidades.

Entre os imóveis adquiridos pela holding está um apartamento de 78 metros quadrados no Itaim Bibi, comprado em agosto de 2024 por R$ 650 mil. Pouco mais de um ano depois, o imóvel foi transferido por R$ 1,3 milhão para outra empresa ligada ao senador, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis.

No mês seguinte, em setembro de 2024, a CNLF adquiriu outro apartamento, desta vez na rua Oscar Freire. O imóvel tem 97 metros quadrados, uma vaga de garagem e foi comprado por R$ 660 mil. A localização fica próxima ao empreendimento Oscar 900, onde o senador adquiriu o triplex de luxo.

Já em novembro de 2025, a holding participou da compra de uma casa de 587 metros quadrados em um condomínio no Morumbi, zona sul paulistana. O imóvel foi adquirido por R$ 5 milhões em parceria com a filha do senador, Eliane Portela Nogueira, e o marido dela. A CNLF ficou com metade da propriedade.

Ao Metrópoles, Ciro Nogueira afirmou que os imóveis foram adquiridos para familiares. Segundo ele, o apartamento no Itaim Bibi seria destinado à mãe, enquanto o imóvel na Oscar Freire seria utilizado pela ex-esposa, Iracema Portella. A residência no Morumbi, segundo o senador, seria para a filha.

“Em nenhum imóvel foi utilizado recurso desta Green Investimentos”, declarou o parlamentar ao ser questionado sobre a sociedade da CNLF com empresa ligada a Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal considera suspeita a operação envolvendo a Green Investimentos porque, segundo os investigadores, a empresa ligada ao senador pagou R$ 1 milhão por 30% de ações avaliadas em aproximadamente R$ 13 milhões. Para a PF, o negócio teria garantido ao senador uma “vantagem negocial” de cerca de R$ 12 milhões.

As investigações também apontam relação entre a aquisição do triplex e uma emenda apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024. De acordo com a PF, o texto beneficiaria diretamente o Banco Master ao ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, citadas no pedido da PF aceito pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicariam que a emenda foi elaborada conforme orientação do banqueiro. Em uma das conversas, Vorcaro teria afirmado que o texto saiu “exatamente como mandei”.

O Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investigou uma suposta fraude bilionária contra o sistema financeiro nacional. Segundo estimativas citadas na investigação, o FGC deverá desembolsar cerca de R$ 40 bilhões para ressarcir aproximadamente 800 mil investidores.

Em entrevista ao programa Acorda Metrópoles, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que a CNLF recebia pagamentos mensais de aproximadamente R$ 300 mil de uma empresa ligada ao grupo Master.

“A empresa recebeu pagamentos mensais de aproximadamente R$ 300 mil de uma empresa do grupo Master”, disse Kakay, que na ocasião atuava como advogado de Ciro Nogueira.

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