Messias diz a aliados que ficará no governo se Lula pedir
Após rejeição ao STF, AGU sinaliza que aceitará decisão de Lula sobre seu futuro

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247 - O advogado-geral da União, Jorge Messias, avalia seguir no governo após a derrota no Senado que barrou sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Após rejeição ao STF, o AGU sinalizou a aliados que aceitará a decisão do presidente Lula sobre seu futuro no governo. As informações são da CNN Brasil.
A movimentação ocorre depois de uma conversa reservada entre Messias e Lula, realizada na noite de segunda-feira (5). O presidente demonstrou solidariedade ao auxiliar após o revés no Congresso, pediu serenidade e afirmou que ainda conta com ele na equipe, embora não tenha formalizado convite para outro posto.
Antes da conversa com Lula, Messias havia indicado a aliados que não pretendia permanecer no comando da Advocacia-Geral da União. A derrota no Senado, considerada histórica, alterou o cenário político em torno de sua permanência e abriu novas possibilidades dentro do governo.
Nos bastidores, auxiliares próximos ao AGU avaliam que ele estaria disposto a cumprir a missão que Lula definir. A leitura entre interlocutores é que, caso receba um convite direto do presidente, Messias aceitará seguir no governo em outra função.
Entre as alternativas discutidas nos bastidores está uma eventual transferência de Messias para o Ministério da Justiça. A pasta está atualmente sob o comando de Wellington César e Lima, indicado pela ala baiana do PT com apoio do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
Wagner também teve papel na articulação da indicação de Messias ao Supremo. A possibilidade de mudança para a Justiça circula no entorno do governo, mas ainda não há definição oficial sobre o destino do AGU.
Messias havia se afastado temporariamente da agenda para se dedicar à sabatina no Senado. Depois da rejeição, retomou compromissos nesta semana, ainda sem uma decisão pública sobre sua permanência na AGU ou sobre uma eventual mudança de cargo.
A derrota de Messias no Senado foi tratada como um episódio de forte impacto dentro do governo. A rejeição de um indicado ao Supremo não ocorria havia 132 anos, o que ampliou a pressão sobre Lula e seus articuladores políticos.
Agora, o presidente avalia qual reação adotará diante do resultado. Dentro do PT, uma ala defende uma resposta mais dura ao Congresso, incluindo a demissão de nomes ligados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de cargos no governo.
Esse grupo também defende a retomada de um discurso mais incisivo contra o Congresso Nacional, em reação à derrota sofrida na indicação de Messias ao STF.
Outra parte do governo, porém, recomenda prudência. A avaliação é que uma reação agressiva pode aprofundar o desgaste político de Lula e reduzir ainda mais sua capacidade de articulação no Congresso.
Integrantes dessa ala alertam para o risco de uma debandada de apoio do centrão em direção à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Por isso, defendem que o Planalto administre o episódio com cautela, evitando ampliar o confronto em um momento de fragilidade política.
Enquanto Lula não toma uma decisão, o futuro de Jorge Messias permanece em aberto. A sinalização feita a aliados, no entanto, indica que o AGU está disposto a seguir a orientação do presidente e permanecer no governo caso seja chamado a assumir uma nova missão.