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Estrutura de refino insuficiente deixa Brasil vulnerável no diesel, afirma Pedro Silva Barros

Para o economista do Ipea, novos desafios exigem planejamento estratégico

Pedro Silva Barros comenta situação do mercado de petróleo no Brasil em meio à guerra no Irã (Foto: UFU/REUTERS)
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247 - O risco de novos aumentos no preço dos combustíveis reacendeu o debate sobre a segurança energética brasileira em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e ao fechamento parcial do Estreito de Ormuz — rota por onde passam cerca de 20% das exportações globais de petróleo. O cenário internacional já pressiona os preços internos e provoca preocupação no setor de transportes, com ameaças de paralisações de caminhoneiros, altamente dependentes do diesel.

Nesse contexto, o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Pedro Silva Barros, avalia que o Brasil possui bases históricas importantes de segurança energética, mas ainda enfrenta fragilidades estruturais, especialmente no refino de combustíveis.

“Não há estudos consolidados muito atuais, mas é possível afirmar que o Brasil tem uma situação relativamente confortável em relação à segurança energética devido a várias iniciativas adotadas décadas atrás, principalmente a partir dos anos 1970, especialmente em 1973, com o choque do petróleo”, afirmou.

Segundo ele, a resposta brasileira à crise energética daquele período estruturou pilares que ainda sustentam o sistema atual. “Destacam-se a busca por petróleo no mar pela Petrobras, a construção de Itaipu e o programa do Proálcool. Também houve investimentos em carvão e energia nuclear, embora essas duas últimas iniciativas não tenham tido tanto efeito. Mais recentemente, tivemos o biodiesel.”

Apesar desse legado, Barros alerta que novos desafios exigem planejamento estratégico diante da instabilidade geopolítica global e das mudanças no perfil da produção nacional de petróleo.

“Temos alguns limitantes, como a demora para o início da prospecção na Margem Equatorial. As tensões geopolíticas e a instabilidade de preços em 2026 indicam, mais uma vez, que o Brasil deve manter a autossuficiência, o que implica avançar nessa prospecção. A produção tende a ser declinante no pré-sal. Outro ponto decisivo é a integração energética, que ainda não está consolidada — e deveria estar”, disse.

A exploração da Margem Equatorial voltou ao centro do debate após o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defender publicamente a urgência do avanço das atividades exploratórias na região. Em sessão recente da Comissão de Minas e Energia e durante anúncio de medidas para conter a alta dos combustíveis, o ministro também criticou a privatização de ativos da Petrobras ocorrida na última década, argumentando que decisões estruturais afetam diretamente a capacidade de resposta do país a choques internacionais.

Para Barros, parte da solução passa por maior integração energética regional na América do Sul. “Precisamos reforçar a integração com países vizinhos, o que passa por conexões dutoviárias (oleodutos e gasodutos), que são os meios de transporte mais baratos, seguros e com menor impacto ambiental, e avanços regulatórios conjuntos. Também é necessário fortalecer as conexões de transmissão elétrica. Na região da ilha das Guianas, seria importante investir em hidrelétricas, especialmente na Guiana e no Suriname.”

Ele acrescenta que a integração elétrica poderia aumentar a estabilidade energética regional. “Se tivéssemos um anel de transmissão conectando essas hidrelétricas complementares às que temos na calha sul do Amazonas (Tucuruí, Belo Monte, entre outras), haveria maior segurança energética e interdependência regional, o que funcionaria como um fator dissuasório de conflitos.”

A principal vulnerabilidade, entretanto, permanece concentrada no diesel — combustível essencial para o transporte de cargas no país e diretamente sensível às oscilações internacionais do petróleo.

“Por fim, somos muito vulneráveis em relação ao diesel. Aumentamos nossas importações dos Estados Unidos e da Rússia nos últimos anos. Estudo recente de importadores mostra que o diesel poderia custar dois reais a mais, enquanto a gasolina teria aumento de um real”, afirmou.

De acordo com o economista, essa exposição externa está diretamente ligada à estrutura industrial brasileira. “Essa é uma questão ligada ao refino e à falta de capacidade instalada. Exportamos petróleo bruto para Singapura e eles obtêm muito mais valor nesse processo.”

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