Com tarifa zero, China amplia cooperação com África
Medida beneficia 53 países africanos e amplia integração ao comércio global, diz editorial do Global Times

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247 - A China amplia a cooperação com África com tarifa zero ao implementar, a partir de 1º de maio, um novo regime comercial que beneficia 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com o país, promovendo maior integração ao comércio global e impulsionando o desenvolvimento econômico do continente. A iniciativa reduz custos de exportação, amplia o acesso ao mercado chinês e fortalece a estabilidade nas relações comerciais internacionais.Segundo editorial publicado pelo Global Times, a medida posiciona a China como a primeira grande economia a conceder tratamento tarifário zero de forma unilateral e abrangente a todos os países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, além de contemplar nações menos desenvolvidas dentro desse grupo.
De acordo com o Global Times, a política é resultado de compromissos assumidos ao longo de anos em fóruns multilaterais, como o Fórum de Cooperação China-África (FOCAC). Desde 2005, Pequim vem ampliando gradualmente preferências tarifárias, chegando à previsão de tarifa zero para 100% das linhas tarifárias de países menos desenvolvidos até o final de 2024 e estendendo o benefício a todos os países africanos com relações diplomáticas até 2026.
O editorial destaca que a China manteve essa estratégia mesmo diante de oscilações econômicas globais, reforçando sua credibilidade internacional ao cumprir promessas por meio de ações concretas.
Em um cenário de incerteza política, aumento de tensões comerciais e preocupações com cadeias de suprimentos, a adoção de tarifa zero é apresentada como um sinal de previsibilidade e estabilidade. A medida reduz de forma sistemática os custos de entrada de produtos africanos no mercado chinês e cria expectativas mais claras para investidores e parceiros comerciais.
O texto ressalta que a iniciativa também representa uma resposta à crescente utilização de tarifas como instrumento de pressão geopolítica por parte de alguns países, ao mesmo tempo em que reafirma o compromisso chinês com uma economia global aberta.
A política tende a elevar a competitividade de produtos africanos, como cacau da Costa do Marfim e de Gana, café e abacate do Quênia, além de tangerinas e vinhos da África do Sul, que anteriormente enfrentavam tarifas entre 8% e 30%.
Com a eliminação dessas barreiras, os produtos ganham maior espaço no mercado chinês, contribuindo para a diversificação econômica do continente e reduzindo a dependência de mercados tradicionais e de exportações baseadas em commodities primárias.
O editorial também rebate críticas ocidentais que classificam a atuação chinesa na África como “neocolonialismo”, destacando que a cooperação não impõe condições políticas nem exige reciprocidade comercial. Segundo o texto, a abordagem chinesa respeita a soberania dos países africanos e apoia seu direito ao desenvolvimento.
Nesse contexto, o presidente de Ruanda, Paul Kagame, já afirmou que “a China se relaciona com a África em pé de igualdade” e que a parceria entre os países se baseia em respeito mútuo e interesses compartilhados.
Além dos benefícios para a África, a abertura do mercado chinês também amplia a oferta de produtos diferenciados para consumidores locais e pode estimular novos investimentos no continente africano. O editorial aponta que a melhoria do ambiente de negócios na região tende a atrair mais parceiros comerciais, fortalecendo um sistema global mais inclusivo e equilibrado.
A medida ocorre no contexto dos 70 anos de relações diplomáticas entre China e África e é tratada como um novo ponto de partida para aprofundar a cooperação bilateral. O objetivo é avançar na implementação dos resultados da Cúpula de Pequim do FOCAC e transformar compromissos em ações concretas.
Com isso, a política de tarifa zero é apresentada como um instrumento central para consolidar uma parceria de longo prazo, voltada à modernização conjunta e ao fortalecimento de uma comunidade com futuro compartilhado entre China e África.