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Putin afirma que cooperação China-Rússia é pilar da estabilidade global

Presidente russo defende parceria estratégica com Pequim, sinaliza avanços em energia e tecnologia e diz que conflito na Ucrânia “está chegando ao fim”

Vladimir Putin (Foto: Sputnik/Mikhail Metzel/Pool via REUTERS)
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247 – O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que a cooperação entre Rússia e China é hoje um fator-chave para a estabilidade das relações internacionais, em meio ao enfraquecimento da arquitetura global de segurança e ao aumento das tensões entre grandes potências.

As declarações foram dadas a jornalistas após o desfile anual do Dia da Vitória na Praça Vermelha, em Moscou, no sábado, segundo reportagem do Global Times. A cerimônia marcou o 81º aniversário da vitória da União Soviética na Grande Guerra Patriótica.

Putin destacou que a China é o maior parceiro comercial e econômico da Rússia e afirmou que o comércio bilateral já supera US$ 140 bilhões, mantendo trajetória de crescimento. Ele também disse que Moscou e Pequim alcançaram alto grau de consenso e estão prontas para dar passos substantivos na cooperação nos setores de petróleo e gás.

Parceria estratégica em meio à instabilidade global

A fala de Putin ocorre em um momento em que mecanismos internacionais de segurança, controle de armas, desarmamento e não proliferação nuclear vêm sofrendo erosão diante da intensificação das disputas geopolíticas.

Ao Global Times, Zhang Hong, pesquisador do Instituto de Estudos Russos, do Leste Europeu e da Ásia Central da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que a cooperação sino-russa ajuda a amortecer turbulências globais provocadas pelo unilateralismo e pela política de poder.

"A China tem consistentemente defendido que os conflitos sejam resolvidos por canais políticos e diplomáticos dentro de estruturas multilaterais como as Nações Unidas, o Conselho de Segurança da ONU, o G20 e o BRICS, ao mesmo tempo em que se opõe ao uso da força e às sanções unilaterais", disse Zhang.

Segundo o especialista, laços estáveis entre Rússia e China têm contribuído para sustentar a estabilidade na Eurásia, na Ásia Central e na região da Organização para Cooperação de Xangai, tornando-se uma âncora relevante em um cenário de enfraquecimento da governança global de segurança.

Energia, IA e nova economia no centro da cooperação

Sobre os campos de cooperação citados por Putin, Zhang afirmou que a energia segue como prioridade central, especialmente diante da instabilidade no Golfo Pérsico e da crise envolvendo o Irã.

O especialista também apontou que a cooperação em alta tecnologia entre China e Rússia é impulsionada por estratégia de Estado e diplomacia de alto nível, não apenas por forças de mercado.

"A China e a Rússia estão expandindo a cooperação em inteligência artificial, materiais avançados, novas energias e economia verde, ajudando a Rússia a enfrentar lacunas de inovação e refletindo a profundidade de sua parceria estratégica abrangente, sem qualquer direcionamento contra terceiros", afirmou.

Putin apoia diálogo entre China e Estados Unidos

Putin também saudou a expectativa de uma visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China. Segundo ele, a continuidade do engajamento entre Washington e Pequim é positiva porque contribui para a estabilidade regional.

O presidente russo observou que China e Estados Unidos são grandes parceiros comerciais e econômicos, e que suas interações têm impacto direto sobre a economia global.

Para Zhang, a declaração ajuda a rebater narrativas ocidentais que retratam China e Rússia como uma suposta aliança antiamericana. Ele afirmou que, embora Moscou avance em sua “virada para o Oriente”, a Rússia mantém uma política externa equilibrada e não abandonou os esforços de normalização das relações com os Estados Unidos e a Europa.

Sinais de paz no conflito da Ucrânia

A imprensa ocidental destacou a ausência de tanques, veículos blindados pesados e mísseis balísticos no desfile russo de 2026 — a primeira vez em quase 20 anos que não houve exibição de equipamento militar pesado na Praça Vermelha.

Putin explicou que a decisão foi motivada não apenas por razões de segurança, mas também pela necessidade de concentrar as Forças Armadas na “operação militar especial” e derrotar o inimigo.

Ao comentar o conflito entre Rússia e Ucrânia, Putin afirmou: "Acho que a questão está chegando ao fim". Ele disse ainda estar aberto a se reunir com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Moscou ou em um terceiro país, quando os dois lados estiverem prontos para assinar um acordo.

Putin também elogiou o que chamou de esperança sincera do governo Trump em resolver o conflito na Ucrânia, mas ressaltou que a questão é, antes de tudo, um assunto entre Rússia e Ucrânia.

Cessar-fogo temporário e troca de prisioneiros

Segundo a CBS News, o presidente Donald Trump anunciou na sexta-feira que Rússia e Ucrânia aceitaram um cessar-fogo de três dias, de 9 a 11 de maio. Durante o período, os dois lados interromperiam as operações de combate e trocariam 1.000 prisioneiros de guerra cada.

Zelensky confirmou publicamente o cessar-fogo e orientou sua equipe a preparar a troca de prisioneiros. A Rússia também aceitou a proposta mediada pelos Estados Unidos, de acordo com a reportagem.

Zhang avaliou que o cessar-fogo reflete estratégias diplomáticas e narrativas dos dois lados, mas afirmou que a volta à mesa de negociações continua sendo uma opção realista.

"Embora o cessar-fogo seja temporário, a Rússia já está sinalizando boa vontade", disse o especialista.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, também afirmou anteriormente que a posição chinesa sobre a crise ucraniana é clara: Pequim apoia todos os esforços pela paz e espera que as partes resolvam a crise por meio do diálogo e das negociações.

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