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Globo cobra do Senado a cassação de Ciro Nogueira

Editorial afirma que provas reunidas pela Polícia Federal contra senador do PP indicam relação de troca de vantagens com o Banco Master

Ciro Nogueira (Foto: Gerado Por IA)
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247 – O jornal O Globo publicou neste sábado um duro editorial defendendo que o Senado Federal aja diante das provas reunidas pela Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas. Segundo o texto, as evidências obtidas na investigação sobre a relação do parlamentar com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tornam a cassação “o desfecho provável”.

No editorial, o jornal afirma que o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado “não pode fechar os olhos às evidências” e sustenta que, embora Ciro tenha direito à ampla defesa, o Parlamento tem obrigação de preservar o decoro institucional. “Paralisia ou corporativismo podem ser fatais e comprometer todo o Parlamento com o escândalo”, afirma o texto.

A publicação ressalta que Ciro Nogueira declarou não renunciar ao mandato e classificou a operação da PF como uma “tentativa de manchar sua honra”. Ainda assim, o editorial sustenta que a gravidade dos fatos já justificaria seu afastamento temporário do cargo enquanto se defende na Justiça e no Senado.

Segundo as investigações da Polícia Federal, Ciro teria mantido uma relação próxima e financeiramente vantajosa com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, instituição financeira que acabou liquidada pelo Banco Central após adotar estratégias consideradas de alto risco.

As apurações indicam que o senador teria recebido pagamentos mensais inicialmente de R$ 300 mil, depois elevados para R$ 500 mil. A PF também aponta que o parlamentar usufruiu de viagens pagas, hospedagens em hotéis de luxo em Nova York, cartões de crédito, imóveis de alto padrão e operações financeiras sem lógica econômica aparente.

De acordo com o editorial, um dos elementos mais graves da investigação envolve uma emenda apresentada por Ciro em agosto de 2024 à proposta de autonomia do Banco Central. O texto ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo utilizado como atrativo para os papéis vendidos pelo Banco Master.

As investigações revelaram que a proposta da emenda teria sido redigida pelo próprio banco. Em mensagens obtidas pela PF, Daniel Vorcaro afirmou: “Saiu exatamente como mandei”.

O editorial também menciona outro episódio envolvendo aliados do senador. Em setembro de 2025, deputados próximos a Ciro assinaram requerimento de urgência para um projeto que permitiria ao Congresso exonerar diretores do Banco Central. Naquele momento, o BC resistia a pressões para aprovar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação cercada de suspeitas.

A Polícia Federal identificou ainda mensagens trocadas entre Felipe Vorcaro, primo e operador do banqueiro, tratando da manutenção dos pagamentos mensais da chamada “parceria brgd-cnfl”. Segundo os investigadores, a empresa BRGD tem como diretor o pai de Felipe Vorcaro, enquanto a CNFL Empreendimentos Imobiliários possui como sócio Raimundo Nogueira, irmão de Ciro Nogueira.

Para O Globo, os fatos apontam para uma possível “troca de dinheiro por atuação legislativa”, caracterizada no editorial como uma “modalidade clássica de corrupção”.

O jornal afirma que caberá à Polícia Federal decidir pelo eventual indiciamento de Ciro e à Procuradoria-Geral da República avaliar se apresentará denúncia formal contra o senador. No entanto, sustenta que as evidências já conhecidas são suficientemente graves para exigir reação imediata do Senado.

“É imperativo conceder a Ciro amplo direito à defesa — na Justiça e no Conselho”, afirma o editorial. “Mas o Parlamento tem o dever de agir em nome da preservação do decoro.”

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