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Entenda o que diz a 25ª Emenda da Constituição dos EUA e como ela pode ser usada para afastar Trump, o “rei louco”

Dispositivo prevê a remoção de um presidente incapaz de governar, mas depende de decisão do vice e do gabinete, além de eventual aval do Congresso

Protestos contra Trump levaram milhões às ruas (Foto: Reuters)
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247 – A 25ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos voltou ao centro do debate político em meio a críticas ao comportamento do presidente Donald Trump, frequentemente descrito por analistas e opositores como errático e perigoso. O mecanismo constitucional, adotado em 1967, estabelece regras para substituição do presidente em casos de incapacidade, incluindo a possibilidade de afastamento contra sua própria vontade.

A discussão ganhou força diante de avaliações como a do economista Jeffrey Sachs, que classificou Trump como “psicopático” em entrevista recente, e de outros analistas que apontam riscos institucionais decorrentes de decisões impulsivas na política externa e militar dos EUA.

O que é a 25ª Emenda

A 25ª Emenda foi criada após o assassinato do presidente John F. Kennedy, em 1963, para esclarecer procedimentos de sucessão e incapacidade presidencial. Ela é composta por quatro seções, sendo a mais relevante para o cenário atual a Seção 4.

I’ll take it a step further.

Failing to invoke the 25th amendment at this point, is a violation of their own oaths to this country.

It should be seen as nothing short of criminal negligence, and they should be held fully liable for the death and destruction that stems from… https://t.co/WYLmppQR5c

— Adam Cochran (adamscochran.eth) (@adamscochran) April 5, 2026

Esse dispositivo permite que o vice-presidente, junto com a maioria dos principais membros do gabinete (ou outro órgão definido por lei), declare que o presidente está “incapaz de exercer os poderes e deveres do cargo”.

Como funciona o afastamento

O processo começa com uma declaração formal enviada ao Congresso pelo vice-presidente e pela maioria do gabinete. A partir desse momento, o vice assume imediatamente como presidente interino.

Caso o presidente conteste a decisão — o que é esperado —, ele pode declarar que está apto a governar. Nesse caso, abre-se uma disputa institucional.

Trump is clearly unfit to be President. But do not let that explain away the evil of his threatening war crimes against the Iranian people, on Easter Sunday no less.

We cannot let Trump normalize this. pic.twitter.com/AlOgJmFtFX

— Senator Chris Van Hollen (@ChrisVanHollen) April 5, 2026

Se o vice-presidente e o gabinete insistirem na incapacidade, o Congresso é convocado a decidir. Para manter o afastamento, são necessários dois terços dos votos tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado.

Sem essa maioria qualificada, o presidente retoma o cargo.

Por que a emenda é difícil de aplicar

Apesar de prever um caminho formal para afastamento, a Seção 4 da 25ª Emenda nunca foi usada contra a vontade de um presidente. Isso ocorre porque o processo depende de atores políticos diretamente ligados ao próprio governo.

O primeiro obstáculo é o vice-presidente, que precisa liderar o movimento. Em seguida, é necessário o apoio da maioria do gabinete, composto por aliados nomeados pelo próprio presidente.

This is a deeply unwell man on a dangerous power trip, threatening possible war crimes.

This is not how the President of the United States should be speaking about sending our servicemembers into harm’s way.

Republicans should join Democrats to end this war immediately. https://t.co/3u2LboacLy

— Senator Patty Murray (@PattyMurray) April 5, 2026

Além disso, a exigência de dois terços no Congresso torna o processo ainda mais complexo, especialmente em um ambiente político polarizado.

O debate sobre Trump

Críticos de Donald Trump argumentam que seu comportamento impulsivo, sua retórica agressiva e decisões controversas — especialmente em temas de guerra e política externa — levantam dúvidas sobre sua capacidade de governar.

Expressões como “rei louco” têm sido usadas por analistas e comentaristas para descrever o estilo de liderança do presidente, evocando a ideia de decisões erráticas e potencialmente perigosas em um contexto de poder nuclear.

This is a satanic administration. We all realize that satanic Zionists occupy the White House and Congress needs to move to have the Mad King Trump removed.
All of our lives may depend upon other countries realizing that Trump is deeply unwell and surrounded by religious…

— Candace Owens (@RealCandaceO) April 5, 2026

Nesse cenário, a 25ª Emenda aparece como um instrumento institucional extremo, pensado justamente para situações em que o presidente não reúne condições psicológicas ou cognitivas para exercer o cargo.

Diferença entre impeachment e 25ª Emenda

É importante distinguir a 25ª Emenda do processo de impeachment. Enquanto o impeachment é um julgamento político por crimes ou irregularidades, a 25ª Emenda trata exclusivamente da incapacidade de governar.

Ou seja, não se trata de punir o presidente, mas de garantir a continuidade do funcionamento do Estado em caso de impossibilidade de exercício do cargo.

Um instrumento político e institucional

Na prática, a aplicação da 25ª Emenda é tanto jurídica quanto política. Mesmo que haja questionamentos sobre a capacidade do presidente, a decisão depende de correlação de forças dentro do governo e no Congresso.

Por isso, embora o mecanismo exista, sua utilização permanece altamente improvável sem uma ruptura significativa dentro da própria base governista.

Ainda assim, o simples fato de voltar ao debate público indica o grau de tensão institucional vivido nos Estados Unidos, especialmente em um contexto de crises internacionais, como a guerra envolvendo o Irã, e de crescente questionamento sobre o papel global do país.

A 25ª Emenda, nesse sentido, permanece como uma salvaguarda extrema da democracia americana — raramente utilizada, mas concebida para momentos de risco excepcional.

The White House is out of control. Former CIA Officer Larry Johnson compares Donald Trump to a mad king, warning he is ordering reckless ground operations in Iran that will result in massive American casualties. The military chain of command is fracturing. pic.twitter.com/aWIGlbSoEB

— Furkan Gözükara (@FurkanGozukara) April 5, 2026

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