Trump afirma que Irã pode telefonar para negociar fim da guerra
Irã responde que não negocia sob pressão e exige fim de bloqueio

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247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã pode entrar em contato para negociar o fim da guerra em curso há dois meses, mas Teerã respondeu que não aceitará negociações sob pressão e condicionou qualquer diálogo à retirada de bloqueios e medidas impostas por Washington.
Segundo a agência Reuters, o impasse diplomático se agravou após a interrupção das negociações no fim de semana, enquanto o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, desembarcou na Rússia para buscar apoio do presidente Vladimir Putin em meio à escalada de tensões.
A viagem de Araqchi à Rússia reforça a tentativa de Teerã de consolidar alianças estratégicas. O embaixador iraniano em Moscou, Kazem Jalali, afirmou que o encontro com Putin ocorre em meio a uma “jihad diplomática” para defender os interesses do país.
Ele declarou que Irã e Rússia atuam juntos contra o que chamou de forças que buscam impor domínio ocidental e unilateralismo no cenário internacional.
Sem avanço nas negociações e com posições ainda distantes, o conflito segue sem solução concreta, mantendo elevada a tensão no Golfo e a incerteza sobre os próximos passos diplomáticos.
As tentativas de retomar o diálogo sofreram um revés quando Trump cancelou a visita de seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, ao Paquistão. O chanceler iraniano passou por Islamabad e Omã, ambos mediadores no conflito, antes de seguir para Moscou.
Persistem divergências profundas entre os dois lados, especialmente sobre o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo global.
Trump afirmou que o caminho para negociação está aberto, mas. “Se eles quiserem conversar, podem vir até nós ou podem nos ligar. Sabe, temos um telefone. Temos linhas seguras e confiáveis”, declarou ao programa “The Sunday Briefing”, da Fox News.
Ele reiterou a principal exigência dos Estados Unidos: “Eles sabem o que precisa estar no acordo. É muito simples: eles não podem ter armas nucleares; caso contrário, não há motivo para se reunirem”.
Do lado iraniano, a resposta veio em tom firme. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o país não participará de “negociações impostas” sob ameaças ou bloqueios, de acordo com comunicado oficial.
Teerã insiste que Washington deve remover obstáculos antes de qualquer avanço diplomático, incluindo o bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos. O país também defende seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos, posição contestada por potências ocidentais.
Uma proposta iraniana, segundo o site Axios, prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do conflito, deixando as negociações nucleares para uma etapa posterior. Autoridades americanas não comentaram oficialmente o plano.
A paralisação das negociações teve reflexos imediatos no mercado global. Os preços do petróleo subiram, enquanto futuros das bolsas americanas registraram queda, diante do risco de interrupção prolongada no fornecimento energético.
O Irã restringiu significativamente o tráfego no Estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos mantêm bloqueio aos portos iranianos, elevando a pressão econômica sobre ambos os lados.
Internamente, Trump enfrenta queda nos índices de aprovação e crescente pressão política para encerrar o conflito, que já deixou milhares de mortos e ampliou a instabilidade econômica global.