Braskem salta até 24% após JPMorgan recomendar compra
Banco elevou recomendação das ações da petroquímica e aumentou preço-alvo para R$ 15, impulsionando papéis no Ibovespa nesta terça-feira

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247 - As ações da Braskem registraram forte alta nesta terça-feira (12), chegando a disparar quase 24% no pregão da B3 após o JPMorgan elevar a recomendação dos papéis da petroquímica de neutra para “overweight”, equivalente à compra. O banco também revisou o preço-alvo das ações de R$ 10,50 para R$ 15.
Segundo informações da Reuters, os papéis da companhia avançavam 23,69% por volta das 13h, cotados a R$ 11,36, liderando os ganhos do Ibovespa, que operava em queda de 1%. Na máxima do dia, as ações atingiram R$ 11,40, o maior nível desde 20 de março, quando chegaram a R$ 12.
A forte valorização ocorreu após a divulgação de relatório assinado pela analista Milene Clifford Carvalho, do JPMorgan. No documento, a instituição financeira avalia que a Braskem deve atravessar um período de recuperação mais robusta nos próximos anos, impulsionada por mudanças no mercado global de petroquímicos.
“A Braskem caminha para um 2026 mais forte, à medida que os desafios no mercado global e as restrições logísticas no Oriente Médio apertaram a oferta de petroquímicos e sustentaram a melhoria de margens”, afirmou o JPMorgan no relatório.
A analista destacou ainda que o processo de normalização da cadeia petroquímica internacional tende a ser lento, em razão das interrupções operacionais e dos gargalos logísticos observados em diversas regiões do mundo.
“Esperamos que a normalização ao longo da cadeia petroquímica leve vários meses, diante das interrupções contínuas em instalações e dos prazos logísticos mais longos”, acrescentou Milene Clifford Carvalho.
De acordo com o banco, o cenário global tem favorecido empresas do setor petroquímico em razão da redução de oferta causada por tensões geopolíticas e dificuldades logísticas, especialmente no Oriente Médio.
Na avaliação do JPMorgan, os reflexos desse contexto devem continuar impactando positivamente as margens da Braskem ao longo dos próximos trimestres. O relatório também aponta que a empresa poderá retomar níveis financeiros considerados de “meio de ciclo” até 2027.
“Olhando para 2027, o desempenho financeiro da Braskem deve retornar a níveis de meio de ciclo”, avaliou a analista no documento divulgado ao mercado.
O JPMorgan também citou mudanças recentes na estrutura de governança da companhia como um dos fatores que reforçam a confiança dos investidores no papel.
Segundo o banco, a reestruturação administrativa da Braskem ainda não está totalmente refletida na valorização acumulada das ações neste ano. A instituição pondera, porém, que uma eventual reabertura do estreito de Hormuz pode reduzir parte do potencial de alta das ações.
Ainda assim, o relatório afirma haver confiança na “governança fortalecida da Braskem após a reestruturação e na melhora dos fundamentos”.
No fim de abril, os acionistas da Braskem aprovaram a eleição de um novo conselho de administração. Entre os nomes escolhidos está a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que assumiu a presidência do colegiado da petroquímica.
Além de Magda Chambriard, passaram a integrar o conselho da Braskem outros executivos ligados à Petrobras, incluindo o diretor financeiro da estatal, Fernando Melgarejo, e o diretor de processos industriais, William França.
A renovação do conselho ocorreu em meio às discussões sobre o futuro societário da companhia e à busca por fortalecimento institucional da petroquímica.
Com a disparada desta terça-feira, a Braskem voltou ao radar do mercado financeiro e liderou os ganhos do Ibovespa em um pregão marcado pela cautela entre investidores.