Leandro Grass defende reestruturação completa do BRB e prisão de Ibaneis Rocha
Pré-candidato do PT ao governo do DF afirma que há evidências contra o governador e propõe solução de longo prazo para crise no banco público

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247 – O pré-candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass, defendeu a reestruturação completa do BRB e afirmou que o ex-governador Ibaneis Rocha deveria estar preso diante das evidências de envolvimento no escândalo que atinge o banco. As declarações foram feitas em entrevista à TV 247, em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre irregularidades bilionárias.
Durante a conversa, Grass foi direto ao comentar a situação do ex-governador: “É inacreditável Ibaneis não estar preso ainda”. Segundo ele, há elementos concretos que ligam Ibaneis ao empresário Daniel Vorcaro e ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso preventivamente.
Grass destacou que Paulo Henrique Costa foi indicado por Ibaneis para comandar o banco, o que reforçaria a responsabilidade política do ex-governador. “Já há evidências suficientes que demonstram a relação dele com o Vorcaro, com o Paulo Henrique, óbvio, porque foi indicado por ele para o BRB”, afirmou.
Ele também mencionou documentos recentes que apontariam a atuação direta de Ibaneis em negociações controversas: “Há evidências concretas de que o Ibaneis mediou, tentou criar uma circunstância mais favorável”.
O pré-candidato ainda acusou o uso recorrente do banco para interesses privados desde o início do atual governo: “Foram várias vezes em que o BRB esteve a serviço de negócios do Ibaneis”.
Na entrevista, Grass questionou a ausência de responsabilização de Ibaneis, inclusive pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Para ele, há uma rede de proteção institucional que impede o avanço de medidas judiciais.
“O Anderson Torres está condenado, está pagando pena. O Ibaneis não aconteceu nada e ele era o governador naquele momento”, disse. Em seguida, questionou: “Qual é a incidência do Ibaneis no poder judiciário, as camadas de proteção que impedem que ele seja preso?”.
Ao abordar a situação do BRB, Grass afirmou que o banco enfrenta um rombo significativo e que pode precisar de um aporte de cerca de R$ 6 bilhões. Ele ressaltou que o governo do Distrito Federal não tem capacidade financeira para arcar com esse valor.
“Hoje o GDF tem um rombo fiscal de R$ 2,7 bilhões. Não há recursos do tesouro para aportar no BRB”, explicou.
O pré-candidato também criticou a tentativa de usar patrimônio público como garantia em operações financeiras, alertando para possíveis ilegalidades: “Há possibilidade de improbidade e até inelegibilidade”, disse, ao citar parecer da Procuradoria do DF.
Como alternativa, Grass defendeu uma reestruturação profunda do BRB, com foco na recuperação sustentável ao longo do tempo. Segundo ele, o banco poderia renegociar suas obrigações em um horizonte de até dez anos, priorizando crédito e reorganização interna.
“O BRB poderia fazer uma negociação de longo prazo, reestruturando sua máquina e se concentrando em crédito para gerar liquidez sustentável”, afirmou.
Ele destacou, no entanto, que esse processo exige credibilidade institucional, algo que, em sua avaliação, o atual governo não possui.
Grass ressaltou que o escândalo já mobiliza a população do Distrito Federal, que demonstra preocupação com os desdobramentos do caso. “Faz muito tempo que a gente não vê uma pauta política local circular tanto entre a população”, afirmou.
Ele também chamou atenção para o impacto direto na vida dos cidadãos, já que o BRB opera programas sociais e serviços essenciais: “A aposentadoria do funcionalismo público depende do BRB”.
No campo eleitoral, Grass defendeu a união das forças progressistas para enfrentar o atual grupo político que governa o DF. Ele afirmou que sua pré-candidatura é resultado de uma construção coletiva.
“Eu não represento a mim, eu represento um programa”, declarou, destacando diálogos com partidos como PSOL, Rede e PDT para formar uma frente ampla.
Ao final, o pré-candidato destacou a importância da disputa pelo Senado no Distrito Federal, defendendo a eleição de nomes alinhados ao campo progressista.
“Nós vamos trabalhar para eleger as duas”, disse, ao mencionar as candidaturas de Leila Barros e Érica Kokay, em contraposição a nomes da direita.
A entrevista reforça o cenário de tensão política no Distrito Federal, com o escândalo do BRB no centro do debate e potencial impacto nas eleições e no futuro da gestão pública local.